Recentemente, ao elaborar uma matéria sobre um evento no hospital me deparei com a triste constatação de que muitas pessoas ainda perdem a vida, em pleno século 21, por vergonha ou receio de mostrar partes íntimas para médicos especialistas em cuidar delas.
Minha família já foi vítima da perda de um ente querido precocemente. O receio de expor seu seio a um mastologista ou falar sobre o que vinha sentindo com outros familiares custou a vida de uma tia muito querida! Todos ficamos sabendo tardiamente sobre seus temores e vergonhas e nada podia ser feito. A doença tornou-se irreversível. De que vale tantos receios? A vida é tão mais importante!
Apesar de lembrar sobre um fato familiar sobre câncer de mama, o evento a que me referi era sobre câncer de próstata e a importância dos exames preventivos no diagnóstico e cura da doença. Mas vale a pena, lembrar que ainda existem mulheres que, assim como os homens, também evitam exames simplesmente por não admitir o toque em suas partes íntimas.
Sei que muitos dos leitores, em determinado momento do mês passado, escutaram falar sobre Novembro Azul. Pois é, assim como o Outubro Rosa, campanha que mobilizou para a prevenção contra o câncer de mama, a Campanha Novembro Azul teve o objetivo de conscientizar a população, em especial os homens, para a importância de se prevenir contra o câncer de próstata.
Ao assistir a palestra do urologista no hospital onde trabalho refleti sobre como ainda estamos distantes de realmente sabermos como cuidar do nosso corpo. Nossos pais, maridos e irmão ainda estão longe - bem mais longe das mulheres que ainda evitam ir a um ginecologista ou mastologista para exames de rotina -, no cuidado com o corpo deles.
É necessário alertar a sociedade! Educar os meninos desde os primeiros anos da escola, informá-los sobre a doença e a importância dos cuidados com a saúde, da mesma forma que é feito com as meninas, que começam a ir ao ginecologista desde cedo.
Para os que ainda não acordaram para a realidade dos fatos, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil e o sexto no mundo. No homem jovem, este câncer geralmente é fulminante.
O urologista Francisco Disnaldo, responsável pela palestra no HGE, explicou que apesar dos índices, quando diagnosticado e tratado no início, a doença tem os riscos de mortalidade reduzidos em 90%. Entre os sintomas mais comuns do tumor estão a dificuldade de urinar, a frequência urinária alterada ou a diminuição da força do jato da urina.
O toque retal é o teste mais eficaz quando aliado ao exame de sangue PSA (antígeno prostático específico, na sigla em inglês), que pode identificar o aumento de uma proteína produzida pela próstata, o que seria um indício da doença.
E isso não sou eu que digo, escutei de quem estudou para identificar uma próstata sadia ou com doenças. Apenas reproduzo o que aprendi. Fica a dica!
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