domingo, 17 de março de 2013

|Bastidores da notícia| As crianças e os objetos pequenos, o perigo por trás da inocência


Trabalhar em um hospital nos leva a refletir constantemente na vida, seu valor e a sua fragilidade. Uma rotina  entre o se solidarizar com a dor alheia e o refletir sobre sua própria vida e seus valores. Gosto do tema saúde! Escrever sobre cuidados e prevenção de doenças, atividades físicas e alimentação é algo que amo e que, pelo qual, sinto-me útil à sociedade. Através da escrita posso aclarar temas mais complexos e evidenciar pontos únicos e outros constantemente debatidos. Nem todos tem a oportunidade de sentar-se com especialistas da área da saúde... sinto-me lisonjeada por ser uma jornalista dentro de um hospital de emergência estadual.

O tema que escolhi para a sessão 'Bastidores da Notícia' de hoje foi uma série de minipalestras que a equipe de enfermagem da unidade hospitalar ministrou para os pais e acompanhantes da área de pediatria sobre engasgos e sufocamento. Quando a pauta é relacionada a crianças naturalmente sinto-me tocada, imagine estando grávida de seis meses e poder acompanhar in loco bebês em situações críticas, com problemas neurológicos, praticamente sem vida devido a falhas de atenção por parte daqueles que seus pais, gentilmente, escolheram para cuidar dos pequenos ou mesmo devido a curiosidade nata dos infantes e uma irrisória distração de seus pais. 

A imagem de uma fisioterapeuta exercitando uma bebê de apenas um aninho, com problemas neurológicos graves devido a ingestão de um brinquedo na creche onde seus pais a deixavam, não sai de minha mente. Tão indefesa! Provavelmente sua vida nunca será a mesma... e, ela mal tinha começado a viver! De quem foi a falha? Para muitos dos pais que convivem com a menor na enfermaria do hospital, uma criança tão pequena jamais deveria ser entregue a desconhecidos. Não sei... não conheço a realidade da família e não tive a oportunidade de conversar com os parentes, enquanto estive por lá, a criança estava sozinha... e que dor senti... que dó de tamanha solidão para um ser tão pequenino!..

Outro menino, um pouco maior, de dois anos, engoliu um brinco. Só através de uma cirurgia foi possível a retirada do objeto, que ficou alojado, preso no seu organismo... de outra forma ele não sairia. A mãe não sabe como o fato aconteceu! Só percebeu que o bebê foi parando de respirar...

Essas e outras histórias são vivenciadas diariamente por pais e familiares. Nem todas tem um final feliz como a registrada na matéria, do pequeno Kaik, que, por seu pai trabalhar no Corpo de Bombeiros e conhecer as técnicas de ressuscitamento, engasgos e sufocamento, aplicou a manobra de Heimlich e o salvou de uma 'chuchinha' de cabelo que quase lhe tirou a vida.

A técnica consiste em tentar tirar a obstrução da garganta ou traqueia utilizando a força do ar que fica preso nos pulmões, em regra o objetivo é induzir a criança a uma tosse artificial que seja capaz de expelir o objeto que está bloqueando a respiração da vítima.


Nos bebês deve-se deitar a criança no braço esquerdo do adulto com a cabeça para baixo, sempre com a boca aberta, e aplicar cinco tapinhas,   com a mão em forma de concha (de preferência), nas costas do bebê, em seguida, virá-lo e pressionar três vezes a região entre os mamilos.

A manobra funciona um pouco diferente em crianças maiores e adultos. Neste caso, a pessoa que for aplicar a técnica deve posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a, o punho esquerdo deve ser fechado e colocado com o polegar estendido entre o umbigo e o osso externo, com a outra mão, deve-se segurar o punho e puxar ambas as mãos, com um rápido empurrão para cima e para dentro a partir dos cotovelos.

É essencial repetir a manobra de cinco a oito vezes. Não esquecer que cada empurrão deve ser vigoroso o suficiente para deslocar o bloqueio. Um procedimento tão simples que faz parte das técnicas de primeiros socorros e é capaz de evitar sequelas dos sufocamento e engasgos, principalmente em crianças e recém nascidos, como uma parada cardíaca ou o comprometimento neurológico, devido à ausência de oxigênio.

Os pais devem estar cientes destas orientações, assim como creches e escolas deveriam estar a par dos primeiros socorros para casos como estes. Vidas podem ser salvas e sofrimentos evitados! Lógico que é indispensável que itens pequenos fiquem distantes dos pequenos. Moedas, brinquedos, botões, jóias, entre outros devem ser bem guardados e afastados da molecada. No entanto, em casos extremos o fato pode ocorrer e aplicar a técnica específica, ligar para o corpo de bombeiros em caso de dúvidas e correr para o hospital mais próximo são orientações que devem ser seguidas para que nossas crianças brinquem de forma saudável e suas peraltices sejam nossa maior alegria!


A notícia completa pode ser lida no portal Saúde:

segunda-feira, 4 de março de 2013

Violência no futebol, um mal em contraste à beleza do esporte

Recentemente, em um jogo do Corinthians na Copa Libertadores, o jovem boliviano Kevin Estrada, de apenas 14 anos, faleceu atingido por um sinalizador lançado da torcida do clube durante partida contra o San José. O que nos remete a um problema velho no esporte, a violência no futebol.

No Brasil, a violência bateu o recorde em 2012. Foram 17 mortes comprovadamente relacionadas a confrontos entre torcidas ou de torcedores com a polícia e cinco inquéritos ainda não concluídos que podem fazer esse número subir para 22. Os dados são fruto de um estudo realizado pelo sociólogo carioca Mauricio Murad, nos primeiros nove meses do ano.

Murad é doutor em ciência do desporto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ ) e há duas décadas dedica-se ao estudo da violência no esporte. O balanço está publicado no livro “Para entender a violência no futebol”, lançado pela editora Benvirá.

Segundo pesquisa do diário Lance!, a violência no futebol, especialmente entre torcidas organizadas, já causou mais de 150 mortes no Brasil desde 1988. O levantamento, segundo a publicação, é baseado em uma compilação de dados de jornais de todo o país. São Paulo é o estado mais afetado, com 32 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 19 óbitos registrados. Mas, porque a violência ainda é tão forte nos estádios brasileiros e em alguns estrangeiros?

Talvez porque o poder público e as instituições não reagem. A incompetência dos que promovem os jogos é absurda. Em um jogo onde não havia desordem, como este do corinthians, só resta a imprudência como fator do desastre. Como é possível um item proibido entrar nos estádios? Fogos de artifício já foram usados como armas e eis a licença para esquecer que o homicídio foi causado também pelo organizador. Minhas desculpas aos que não concordam, mas torcedores uniformizados juntos aos desorganizadores do espetáculo construíram o 'boom' responsável pela morte do menino de 14 anos.

O episódio desta morte, lamentavelmente, caminha para ser apenas mais um nas tantas estatísticas da escalada da violência em nossa sociedade, o que é sabido, não é privilégio apenas da realidade brasileira ou da subdesenvolvida America Latina.

Se queremos tirar alguma lição desta tragédia, ainda mais com a proximidade da Copa do Mundo, a questão esportiva, deve ser colocada em segundo plano. Medidas, como as sugeridas por Murad, deveriam ser estudadas e implantadas para a resolução do problema no país, dentre as quais a instalação de câmeras de segurança, a tecnologia de reconhecimento dos envolvidos e a punição adequada.

A criação de um plano de combate à violência no esporte com articulação nacional entre várias instituições públicas, como Ministério do Esporte e da Justiça, os Tribunais de Justiça, o Ministério Público e as polícias Civil e Militar é fundamental. De acordo com Murad, a atuação do plano,  basearia-se em três pilares, repressão, prevenção e reeducação a exemplo de modelos de sucesso aplicados em países como a Inglaterra, a Itália e a Argentina, onde o problema da violência nos estádios também era grande.

Na Inglaterra, por exemplo, os hooligans, como são conhecidos no país os torcedores de futebol desordeiros, chegaram a deixar 96 mortos em um episódio que ficou conhecido como Desastre de Hillsborough. Está na hora do Brasil acordar para as estatísticas assustadoras que já habitam no país há alguns anos e fazer bonito não só no gramado, mas além dele.