O tema que escolhi para a sessão 'Bastidores da Notícia' de hoje foi uma série de minipalestras que a equipe de enfermagem da unidade hospitalar ministrou para os pais e acompanhantes da área de pediatria sobre engasgos e sufocamento. Quando a pauta é relacionada a crianças naturalmente sinto-me tocada, imagine estando grávida de seis meses e poder acompanhar in loco bebês em situações críticas, com problemas neurológicos, praticamente sem vida devido a falhas de atenção por parte daqueles que seus pais, gentilmente, escolheram para cuidar dos pequenos ou mesmo devido a curiosidade nata dos infantes e uma irrisória distração de seus pais.
A imagem de uma fisioterapeuta exercitando uma bebê de apenas um aninho, com problemas neurológicos graves devido a ingestão de um brinquedo na creche onde seus pais a deixavam, não sai de minha mente. Tão indefesa! Provavelmente sua vida nunca será a mesma... e, ela mal tinha começado a viver! De quem foi a falha? Para muitos dos pais que convivem com a menor na enfermaria do hospital, uma criança tão pequena jamais deveria ser entregue a desconhecidos. Não sei... não conheço a realidade da família e não tive a oportunidade de conversar com os parentes, enquanto estive por lá, a criança estava sozinha... e que dor senti... que dó de tamanha solidão para um ser tão pequenino!..
Outro menino, um pouco maior, de dois anos, engoliu um brinco. Só através de uma cirurgia foi possível a retirada do objeto, que ficou alojado, preso no seu organismo... de outra forma ele não sairia. A mãe não sabe como o fato aconteceu! Só percebeu que o bebê foi parando de respirar...
Essas e outras histórias são vivenciadas diariamente por pais e familiares. Nem todas tem um final feliz como a registrada na matéria, do pequeno Kaik, que, por seu pai trabalhar no Corpo de Bombeiros e conhecer as técnicas de ressuscitamento, engasgos e sufocamento, aplicou a manobra de Heimlich e o salvou de uma 'chuchinha' de cabelo que quase lhe tirou a vida.
A técnica consiste em tentar tirar a obstrução da garganta ou traqueia utilizando a força do ar que fica preso nos pulmões, em regra o objetivo é induzir a criança a uma tosse artificial que seja capaz de expelir o objeto que está bloqueando a respiração da vítima.
Nos bebês deve-se deitar a criança no braço esquerdo do adulto com a cabeça para baixo, sempre com a boca aberta, e aplicar cinco tapinhas, com a mão em forma de concha (de preferência), nas costas do bebê, em seguida, virá-lo e pressionar três vezes a região entre os mamilos.
A manobra funciona um pouco diferente em crianças maiores e adultos. Neste caso, a pessoa que for aplicar a técnica deve posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a, o punho esquerdo deve ser fechado e colocado com o polegar estendido entre o umbigo e o osso externo, com a outra mão, deve-se segurar o punho e puxar ambas as mãos, com um rápido empurrão para cima e para dentro a partir dos cotovelos.
É essencial repetir a manobra de cinco a oito vezes. Não esquecer que cada empurrão deve ser vigoroso o suficiente para deslocar o bloqueio. Um procedimento tão simples que faz parte das técnicas de primeiros socorros e é capaz de evitar sequelas dos sufocamento e engasgos, principalmente em crianças e recém nascidos, como uma parada cardíaca ou o comprometimento neurológico, devido à ausência de oxigênio.
Os pais devem estar cientes destas orientações, assim como creches e escolas deveriam estar a par dos primeiros socorros para casos como estes. Vidas podem ser salvas e sofrimentos evitados! Lógico que é indispensável que itens pequenos fiquem distantes dos pequenos. Moedas, brinquedos, botões, jóias, entre outros devem ser bem guardados e afastados da molecada. No entanto, em casos extremos o fato pode ocorrer e aplicar a técnica específica, ligar para o corpo de bombeiros em caso de dúvidas e correr para o hospital mais próximo são orientações que devem ser seguidas para que nossas crianças brinquem de forma saudável e suas peraltices sejam nossa maior alegria!
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