E não poderia deixar de começar falando sobre um imortal que admiro muito! Fernando Pessoa, poeta e escritor português. Considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".
Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma. Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial.
Foi também empresário, editor, crítico literário, ativista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária.
Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente". Foi Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Vários em um. Um em vários. Como muitas vezes, também somos!
Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " "Não sei o que o amanhã trará".
Então, para abrilhantar este começo, versos do imortal!
Análogo começo
Análogo começo.
Uníssono me peço.
Gaia ciência o assomo —
Falha no último tomo.
Onde prolixo ameaço
Paralelo transpasso
O entreaberto haver
Diagonal a ser.
E interlúdio vernal,
Conquista do fatal,
Onde, veludo, afaga
A última que alaga.
Timbre do vespertino.
Ali, carícia, o hino O
Outonou entre preces,
Antes que, água, comeces.
(Fernando Pessoa, Poemas dos Dois Exílios)