sábado, 7 de agosto de 2010

Análogo Começo

Tudo em nossa vida começa por alguma razão, um motivo nos tira da estagnação e nos leva a ação. Um curso visa o melhoramento profissional, um novo amor, novo emprego, nova moradia a esperanças de um presente e futuro satisfatórios, quem sabe. E um blog, o que nos leva a escrever em um espaço no mundo virtual para sermos leituras (pq nossos textos levam em suas palavras pedaços do que somos) para alguns ou muitos? Penso que os apaixonados pela arte de escrever sempre estarão buscando meios para exercer sua paixão... Então, aqui estou. Muito prazer para os que ainda não me conhecem. Estou por aqui, para os que já estão acostumados com a pessoa que sou! Juntos construiremos o Mundo de Amarelinda.

E não poderia deixar de começar falando sobre um imortal que admiro muito! Fernando Pessoa, poeta e escritor português. Considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".

Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma. Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial.

Foi também empresário, editor, crítico literário, ativista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária.

Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente". Foi Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Vários em um. Um em vários. Como muitas vezes, também somos!

Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " "Não sei o que o amanhã trará".

Então, para abrilhantar este começo, versos do imortal!


Análogo começo


Análogo começo.
Uníssono me peço.
Gaia ciência o assomo —
Falha no último tomo.

Onde prolixo ameaço
Paralelo transpasso
O entreaberto haver
Diagonal a ser.

E interlúdio vernal,
Conquista do fatal,
Onde, veludo, afaga
A última que alaga.
Timbre do vespertino.
Ali, carícia, o hino O
Outonou entre preces,
Antes que, água, comeces.


(Fernando Pessoa, Poemas dos Dois Exílios)