domingo, 1 de abril de 2012

Livros, leitura e desenvolvimento


"O livro é um importante fator de desenvolvimento econômico e social de uma nação, uma verdade nem sempre lembrada". Raul Wassermann




Em recente pesquisa, realizada pelo Instituto Pró-Livro, constatou-se que, apesar do brasileiro saber o quanto a leitura é importante para ter maior progressão na vida, a atividade é desinteressante para muita gente. Mas, afinal, o hábito de leitura é uma questão social, cultural, política ou financeira?


Todas e nenhuma delas. Quantas pessoas conhecemos que têm o hábito da leitura? Quantos livros estipulamos para ler em uma semana, ou mês, ou mesmo ano?

Através dos registros escritos descobrimos e aprendemos culturas, histórias e hábitos diferentes, compreendemos a realidade, o sentido real das idéias, vivências, sonhos, etc.

O dia 23 de abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. Quantos sabem? Quantos divulgam? A leitura é uma das mais importantes tarefas que as escolas deveriam ensinar e estimular. É uma dos principais ensinos que os pais deveriam perpetuar. A qualidade do ensino passa pelo hábito da leitura.

Grande parte das escolas trabalha somente com textos literários e didáticos e muitas vezes selecionam esses materiais de forma burocrática, ou seja, uma relação de interesse entre editora, escola e, até mesmo, professor. Claro que esse tipo de atitude não acontece de forma generalizada, ainda existem educadores que realmente desempenham seu papel de maneira responsável, desenvolvendo estratégias e diferentes formas de realizar uma leitura eficiente.

Os lares brasileiros ainda são pouco receptivos ao livro. Como ser uma potência econômica, se não se é uma potência cultural? O Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf) aponta que, no país, existam 16 milhões de analfabetos absolutos acima de 15 anos de idade; um terço da população é composto por analfabetos funcionais; somente um em cada quatro jovens e adultos consegue compreender totalmente as informações contidas em um texto e relacioná-las com outros dados.

E, vamos além. Você sabia que os brasileiros despendem 18,4 horas assistindo à televisão por semana e apenas 5,2 horas com leitura, no mesmo período? É fácil entender porque se lê menos do que se vê televisão, não é mesmo? A leitura é uma atividade solitária. Requer silêncio e concentração. Exige comprometimento e engajamento com aquilo que se lê. A televisão dá a impressão de inserir o indivíduo na comunidade. É só se deixar levar por aquilo que está sendo exibido e partilhado com a audiência... Mas, o que estamos construindo? O que estamos fazendo das nossas vidas e das dos nossos filhos? Precisamos refletir.

É imperioso que pais, mães, mestres, poder público, meios de comunicação, entidades prestadoras de serviços, literatos e adeptos da leitura promovam e incentivem atividades que intensifiquem a prática de leitura, disseminando o conceito de que o livro é opção de lazer.  Afinal, o ato de ler não deve ser percebido apenas como obrigação mas, como fonte de prazer. Faz-se mister a participação de toda a sociedade.

A pesquisa - Na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 64% dos participantes concordaram totalmente com a afirmação “ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. Mas 30% disseram que não gostam de ler, 37% gostam um pouco e 25% gostam muito. Entre os não leitores, a principal razão para não ter lido nos últimos meses é a “falta de tempo”, apontada por 53% dos entrevistados. No topo da lista aparecem também justificativas como “não gosto de ler” (30%) ou “prefiro outras atividades” (21%).

No trecho do estudo que pergunta “qual é o significado da leitura para você”. Mais de 60%, acham que ler uma “fonte de conhecimento para a vida”, “fonte de conhecimento para atualização profissional” (41%) e “fonte de conhecimento para a escola” (35%). O estudo também demonstra que o hábito da leitura está conectado com a frequência à escola. Entre os que estudam estão apenas 16% do total da população de não leitores. Mesmo entre aqueles considerados leitores, a média de obras lidas é 1,4 para quem não está estudando ante 3,4 para quem estuda (considerando os últimos três meses).

Fica a dica. Através da leitura realizada com prazer, é possível desenvolver a imaginação, embrenhando no mundo da imaginação, enriquecendo o vocabulário, envolvendo linguagens diferenciadas, entre muitos outros benefícios.